30 de junho de 2018

História e contextualização do Blog - Partilha do dia 1

Caros e Caras leitores e leitoras,

Para quem me já me conhece o motivo para escrever este blog é bastante evidente, depois de me ouvirem dizer variadas vezes, após mais um espalhafatoso e/ou atribulado evento no meu dia,  "qualquer dia escrevo um blog sobre isto, a sério, é que pelo menos posso ver se mais pessoas partilham o que lhes acontece a elas, para não achar que só me acontece a mim". 
Aqui está ele, finalmente. E porquê hoje? Porque curiosamente, dei por mim a ver um filme chamado "Julie & Julia" sobre uma pessoa que resolveu fazer um blog com um desafio culinário que colocou a ela própria, o que também me agrada bastante (e naturalmente surgirão episódios culinários neste blog), e que honestamente só fiquei a ver porque tinha a Amy Adams e a Meryl Streep, e até se tornou engraçado.

Para quem não me conhece, o contexto é simples: sou uma pessoa muito activa e um pouco desastrada, com uma propensão para azares fora do comum (quando digo fora do comum é naquela extremidade da curva normal - for people who know what I mean), com incontáveis eventos que envolvem imbróglios burocráticos que fariam o Kafka repensar o seu Processo, e eventos sequencialmente desastrosos que talvez fizessem renomear a Lei de Murphy, e com tal recorrência destes eventos que os meus amigos adaptam o ambiente à minha volta como as pessoas que têm bebés em casa (talvez mais até). Desde partir garrafas de plástico e facas, partir mais coisas do que deveria e causar mau funcionamento em todo o tipo de tecnologia que me passa pelas mãos, as peripécias são inúmeras, e irei escrevendo algumas do presente e outras do passado. Por tudo isto, nasceu até a expressão "hoje fiz uma cena à Julieta" quando algo extremamente improvável e desastroso acontece.

Dia 1:

Hoje até foi um dia calmo (estava eu a pensar antes te relembrar o meu dia)... a manhã começou comigo a apanhar o autocarro número 6, que me levou até ao fundo das escadas monumentais, quando senão à saída do autocarro a porta se fechou sobre mim, e eu fiquei entalada durante breves segundos, o que me comprimiu os ossos e fez definitivamente acordar da dormência em que vinha. Saí aos tropeções e a reclamar, naturalmente... Mas, no meio deste cenário aparatoso, e enquanto murmurava sozinha, o motorista do autocarro lá veio atrás de mim, muito atenciosamente, a perguntar se estava bem e a pedir desculpa, justificando que houve algum problema elétrico, porque ele carregou apenas para abrir a porta e ela, aparenteme, fechou-se sozinha. Eu agradeci genuinamente a preocupação e disse que estava bem, e lá segui a minha vida. Mais tarde, depois de ter passado à porta do CES (Centro de Estudos Sociais), onde queria ter passado (levava papéis na mão para lá deixar), segui para a aula de estatística na faculdade e no fim desta, lá tive eu de vir Couraça acima (para quem sabe a íngreme distância perceberá o custo, outra vez, para lá passar. O dia terminou comigo em casa, com a língua queimada depois de provar o arroz que fiz para o jantar, e confortavelmente a corrigir um capítulo, enquanto via um filme aleatório sobre um blog. Até foi um dia produtivo, all things considered [acabei de me aperceber que me esqueci de passar noutro sítio que me ficava em caminho, faz parte].

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