1 de outubro de 2018

Pesadelo no comboio

Após uma bela semana em Bristol, onde tudo correu admiravelmente bem, pelo menos para mim, já borbulhava em mim o receio de que algo não corresse bem no regresso, dado o meu historial com viagens (digo pelo menos para mim, pois revi-me num dos participantes da formação, que conseguiu chegar atrasado dois dias consecutivos - um porque havia uma vaca na linha do comboio, e aparentemente ainda foram durante algum tempo, lentamente atrás dela; e no dia seguinte, porque a ligação onde tinha de trocar de comboio estava suspensa por avaria de uma das máquinas - ao que eu pensei - ainda bem que fiquei no hotel do evento, senão esta poderia perfeitamente ser eu).

Voltando ao meu dia (sexta-feira dia 28/09)... a formação na qual eu estive, onde fazia parte da organização ao mesmo tempo que tinha oportunidade de assistir e aprender imenso, acabou pelas 15 horas. Neste último dia eu estava por minha conta, tendo ficado de arrumar tudo, recolher questionários e levar tudo dentro de uma grande mala que teria de entregar numa das estações a caminho de Bangor. Cheguei à estação de Temple Meads em Bristol, que é lindíssima, e fui calmamente e com tempo para a plataforma indicada, sabendo que faria apenas algumas estações até Newport onde tinha de trocar de Comboio. Às 17 horas estava sentada na plataforma 3, e aguardei serenamente, enquanto lia o meu livro de bolso, as 17h30, hora da ligação que me levaria directa a Bangor, sem mais necessidade de sair do Comboio. No painel luminoso dizia o destino correcto e a hora, o comboio chegou à hora certa, eu entrei nele. Quando entrei perguntei se não havia letras nas carruagens (aqui geralmente existe a carruagem A, B, C e por aí em diante), ao que o senhor me respondeu que não, para me sentar em qualquer sítio e assim fiz. Estranhei o meu bilhete electrónico ter essa informação e não corresponder, mas já não era a primeira vez pois o sistema de comboios aqui e de atribuição de lugares é muito estranho, fica para outro post (mas em suma é muito frequente não haver lugares marcados). Deixei-me levar tranquilamente, depois de ter mostrado o meu bilhete e nada e ter sido dito, eis que um senhor me toca no braço para dizer que aquela era a estação terminal, estava em Cheltenham Spa, muito longe de onde deveria estar. Quando expliquei ao senhor o que se tinha passado ele olhou para mim com um ar compassivo e disse que eu tinha razão, e que deveriam ter sinalizado melhor pois o meu comboio devia ter chegado pouco depois daquele, e indicou-me com quem falar, para me explicar a melhor forma de voltar a um trajecto que fosse dar ao meu destino. Irritada e com as pressas a sair do comboio, prendi os meu fones e lá ficou um dos auriculares pendurado no banco do comboio, para ajudar ao meu estado de humor.

Nota (principalmente para pessoal de psicologia) - foi engraçado isto ter acontecido depois de um treino de competências, pois tive a oportunidade de pôr em prática a tolerância de distress, o mindfulness e a aceitação radical, de que não havia nada a ser feito, e que tinha de aceitar e gerir o que estava a sentir.

Fui ter com o dito senhor que me deu um papel detalhado que explicava o trajecto a fazer, e implicava fazer duas trocas de comboio, para me pôr a caminho de Bangor. Importa dizer que eu estava com uma mochila às costas, uma mala de mão, e uma mala gigante de 20 kg que supostamente só teria de entregar numa estação. Depressa percebi que não ia passar nessa estação, e que teria de levar a mala comigo (depois de falar com a pessoa a quem a ia entregar). Segui a passo apressado para a plataforma que me indicaram e fui para Birmingham onde teria de fazer a primeira troca de comboio... se ao menos fosse tão simples... Eis que vejo a bela mensagem - the train is delayed. Atraso do comboio porque alguém estava doente e teve que se parar o comboio para prestar assistência à pessoa, claro que sim, que melhor timing? Veio com 20 minutos de atraso, e já sabia que não ia conseguir apanhar a ligação em Stafford como era suposto. Respirei fundo várias vezes, procurei nova ligação, encontrei uma que implicava fazer mais uma troca e demorava mais 40 minutos, era a única hipótese. Cheguei a Stafford e apanhei essa outra ligação, eram por esta altura 21h30, andei uma estação e troquei finalmente de comboio, depois de arrastar pesadamente as malas comigo. Percebi por esta altura que a mala grande estava tão difícil de arrastar, porque tinha perdido uma roda... sim, mais esta.
Entrei no comboio final eram cerca de 22h e cheguei à minha estação de destino às 23h40... o elevador da estação estava fora de serviço e tive de carregar as malas escada acima e escada abaixo, penso que só o desânimo me arrastava por estas horas. Apanhei um táxi para casa, e assim terminou a minha fatídica viagem, 8 horas depois, com menos uma roda e uns fones, mas um livro de que gostei imenso, acabado de ler.

Vida difícil.

Jules

      

25 de setembro de 2018

Sumula dos ultimos dramas diarios

Ontem o dia foi brindado com meia tarte virada para o fundo do forno com estratégias de malabarismo que desconhecia que tinha, seguida de um corte no dedo a fazer salada... e ainda consegui virar aquela tampinha que se coloca no ralo e conde se acumulam os restos de comida para cima de mim, enquanto tentava direccionar para o caixote do lixo.

Nos dias anteriores a esta peripécia, resolvi sair de casa com uma torrada com manteiga na mão, que acabou a barrar o meu casaco, quando tentei prevenir que acabasse no chão. A boa noticia é que ainda consegui apanha-la e come-la, o meu casaco não ficou bonito.

Para além destas peripécias diárias, já tive uma das minhas aventuras burocráticas, que só são mais divertidas no estrangeiro porque as pessoas por aqui pelo menos andam mais bem dispostas, e é mais difícil irritar-me com elas. Portanto a simples acção de ir a um edifício x para fazer um cartão, que na vida do cidadão comum demoraria 15 minutos (com o tempo de ida e volta ao edifício incluído), transformou-se numa interessante viagem de hora e meia a percorrer mais edifícios do que eu sabia que existiam na Universidade de Bangor (nenhum deles, relativo a uma faculdade sequer, só para perceberem).
Fun life.

22 de setembro de 2018

Peripécias das últimas semanas


Sei que tenho andado a falhar aqui com as minhas peripécias, mas desenganem-se se acham que é porque não têm acontecido. A minha vida é uma animação e esses momentos não deixam de acontecer, eu só não tenho é grande tempo para os reportar em tempo real.

Mas fazendo assim um apanhado, e com alguma cobertura fotográfica, comecei por partir um belo copo de um pint de cerveja belga, que naturalmente estava cheio quando eu com a minha delicadeza de movimentos o ataquei acidentalmente, dando banho às pessoas em redor e desperdiçando uma boa cerveja. Para ajudar, esta era a última cerveja que eu podia beber porque o bar tinha acabado de fechar, por isso fiquei "a aguar" como se diz na minha terra, e não houve cerveja para ninguém.

Segue-se o típico episódio do café, onde o açúcar vai parar à àgua, certamente já vos aconteceu (espero!).

À parte disso, fui até à Bulgária onde tive o belo episódio de ir contra um sinal de STOP no meio da rua e ficar com toda a minha cabeça a latejar, e um belo galo pela manhã. Para além deste momento épico, que gera sempre muita alegria nos transeuntes, tive um outro momento, que parecia uma partida pregada por uma qualquer força do Universo.
No último dia que fiquei na Bulgária tinha um avião para apanhar por volta das 6h, pelo que combinei com uma senhora amiga que me iria dar boleia para o aeroporto, encontrar-mo-nos às 4h à porta de casa. Coloquei o despertador para meia hora antes, porque só tinha de vestir-me e descer, tudo o resto estava pronto. Eis que recebo um telefonema enquanto estava a dormir, de um numero enorme, presumivelmente desta amiga, que me disse "I am at your door", portanto, estou à tua porta. Eu saltei rapidamente da cama, e quando vi que eram 2h da manhã (e tendo em conta que na Bulgária são mais duas horas do que em Portugal), achei que me tinha enganado e colocado o despertador na hora de PT (de alguma forma),pelo que me vesti rapidamente, peguei nas malas e fui para a rua. Quando não vi a minha amiga, liguei de volta para o número que me tinha ligado, e percebi finalmente que era outra moça, que iria ficar na minha casa em Coimbra, e que não tinha conseguido imediatamente falar com a pessoa que lhe ia abrir a porta, mas quando lhe devolvi a chamada já estava tudo resolvido (claro!). Esta história acabou comigo às 2h da manhã na rua sem qualquer propósito, e a voltar para casa e deitar-me já sem dormir o que quer que fosse, e talvez alguém a rir-se nalgum universo paralelo, ou com vista pra este.

Depois deste momento, lá cheguei a Portugal, e andei em correrias de um lado para o outro, tendo chegado o dia para o qual tinha a minha bela indumentária pronta, o casamento de uma grande amiga, e que também partilho convosco em fotos. Ora os meus lindos sapatos que "levei" ao casamento, na verdade não chegaram à igreja e descolaram-se completamente do carro até lá (os dois sapatos). O que me valeu foi o facto de ter levado os típicos sapatos mais confortáveis para mais tarde, e para dançar, que acabaram por ser os sapatos de todo o dia, e estes só fizeram um brilharete, na privacidade do caminho de carro.

Entretanto mudei-me para terras frias, e claro que aqui pelo País de Gales já fiz das minhas. Consegui perder-me e passar duas vezes à porta do restaurante que procurava sem o ver, just the usual. Mas a mais brilhante foi ter conseguido dar informações erradas ao técnico de informática do edifício onde estou a trabalhar, que acabou por desligar a conexão de internet por cabo a umas quantas pessoas (que não sei quem são), enquanto tentava pôr a internet a funcionar no gabinete onde eu estava. Como nada parecia estar a funcionar, ele acompanhou-me ao gabinete, e quando viu onde era disse - já percebi porque não está a funcionar, esta zona corresponde a um sítio diferente no painel, o que quer dizer que desliguei a internet a outras pessoas - e saiu a correr. Eu pedi mil desculpas, ele riu-se, mas no fim todos ficaram bem e com internet :P

More to come...

Mantenham o optimismo :)

Jules

 
 

Só mais um dia.

Começar o dia a espalhar o pânico... 


18 de agosto de 2018

Viagem à República Checa - Dias Vários

Ora vamos lá começar pelo princípio....

Aviso desde já que vai ser um post longo, e percebo se desistirem a meio, mas é para verem que viver o meu dia-a-dia é exaustivo, mesmo a viajar 😋

A minha viagem começou no dia 25 de Julho com a ida de Coimbra para o Porto para apanhar um avião. Saí no comboio mais que saía mais cedo de Coimbra - 5h38 tendo chegado lá por volta das 7h40 e fui para o metro para ir para o aeroporto. Aí começou tudo a apertar, estava eu tranquila à espera do metro há cerca de 10 minutos, e já tendo carregado o cartão, quando percebi que o próximo metro era só daí a 20 minutos... A sério, como assim faz-se um metro de ligação com o aeroporto que a esta hora circula com intervalos superiores a 20 minutos?! Indignada lá fui procurar outra opção para chegar ao aeroporto mais rapidamente, porque a hora de despacho das malas acabava às 8h e pouco e a hora do voo era às 8h25. Lá começou a minha correria habitual, e cheguei ao aeroporto no limite, sendo a minha mala a última a ser despachada antes de fecharem e lá fui para a porta de embarque. Chegada a Praga, eis o momento que me aperta o coração, esperar pelas malas. Para a generalidade das pessoas é um momento pacífico, esperam confiantemente que a sua mala chegará. Para mim, as estatísticas pessoais dizem o contrário. Das vezes em que levei mala de porão 2/3 das vezes a minha mala não chegou comigo. Sim, a sério.

Breve contextualização de dramas com malas passados

  • Na minha primeira viagem, a viagem de finalistas, a minha mala não chegou tendo aparecido apenas passados 3 dias durante os quais andei com roupa emprestada das minhas amigas, que me valeram.
  • Numa outra viagem tive de aguardar no aeroporto e a mala lá chegou horas mais tarde.
  • Numa viagem na qual levei mala de mão, até à Irlanda consegui partir o troley assim que lá cheguei, e carreguei com a mala o resto do tempo.
  • Em Varsóvia a minha mala ficou retida algures e não chegou comigo, e não me foi dada grande informação de onde andaria, tendo felizmente sido entregue no dia seguinte no hostel onde fiquei.

De volta a Praga... estava eu a esperar ansiosamente pela minha mala, quando vejo aquela já por mim conhecida mensagem "All the bags have been unloaded"  o que para quem não sabe significa - todas as malas já foram descarregadas do avião e se a vossa mala não chegou já não vai chegar. Pois bem, eu respirei fundo e lá me dirigi ao balcão Lost Baggage. Depois de tratar de tudo (dar morada, descrever a mala e afins), lá fomos nós sem malas, explorar Praga e comer alguma coisinha Checa, sendo recebidos no centro da cidade velha - old town - com um belo prato de Halusky (recomenda-se). Nesse dia não houve novidades da mala, liguei várias vezes para o número que me deram sem ninguém alguma vez me atender. De manhã, depois de tomar banho e vestir a mesma roupa e voltar a ligar para lá até me atenderam, lá me disseram que a mala já tinha sido entregue na recepção do sítio onde estava... Feliz da vida, lá fui buscar a mala e mudar de roupa radiante por ter a minha mala de volta.
Depois deste começo atribulado, lá fui ter com os meus companheiros de viagem ao hotel deles, e estavam a comer o pequeno almoço que partilharam generosamente comigo. Como agradecimento atirei com um ovo estrelado para o chão, para continuar o dia em Julieta's mode.

Depois disto e de termos visto Praga que é uma cidade surpreendentemente encantadora,  chegou o nosso último dia e tivemos de ir embora, pelo que chamámos um Uber para apanhar o autocarro para a nossa próxima paragem. Como há 1 dia que tudo corria bem, tinha de descambar neste momento claro... o Uber ficou retido uma data de tempo no trânsito até chegar a nós, e já connosco lá dentro demorou outro tanto. Neste processo e percebendo que íamos chegar 5 minutos depois da hora do autocarro para o qual já tínhamos bilhete, tentámos falar com amigos que estavam lá à espera desse bus e pedir ao motorista que esperasse uns minutos pois estávamos a chegar, que prontamente disse que Não! Assim que lá chegámos, e percebendo que tínhamos perdido o autocarro, procurámos ver se podíamos trocar o bilhete por outro que houvesse a seguir, ao que nos foi dito que não havia mais nenhum autocarro a seguir com lugares vagos (isto em "conversa" com uma jovem que sabia dizer em inglês - yes, no e maybe). Conseguimos perceber que havia um comboio às 15h30 (pela internet claro - sendo no momento 14h50) e pusemo-nos a caminho, apanhando o metro para a estação. Chegámos à estação dos comboios Hlavni nadrazi (não me perguntem como se diz tal coisa), onde comprámos o bilhete de comboio, confiantes que isso corresponderia a um lugar sentados no comboio. Não caros e caras leitores(as), o bilhete basicamente significa que podem ir dentro do comboio, para ter lugar sentado tem de se reservar! Alguém nos perguntou se queríamos reservar? Claro que não. Nesta azáfama de perceber o que raio se estava a passar (já dentro do comboio) e onde nos podíamos sentar, desapareceu o nosso bilhete (tínhamos um bilhete para os 3), e estávamos a derreter sem ar condicionado e num dia em que a temperatura estava seguramente acima dos 37ºs. Enquanto perdíamos todos a calma, lá voltei para trás no caminho que tínhamos feito pelo comboio fora e consegui encontrar o raio do bilhete no chão, escondido junto a uma porta, quase a rir-se da nossa desgraça.
Voltámos a uma das carruagens do comboio e lá conseguimos sentar-nos em lugares que seriam sempre temporários até surgir alguém que os reclamasse, porque estavam reservados... a sério, não entendo. Ah e havia uma última carruagem só para as pessoas irem de pé, minúscula, nunca tinha visto nada assim... sufocante. Finalmente sentados, e depois de termos sido avisados que tínhamos de trocar numa determinada estação na qual trocámos, segui-se uma nova dança das cadeiras no novo comboio, e passadas apenas duas ou três paragens e o comboio deteve-se novamente, antes da nossa estação de destino que era Jésenik e mandaram sair toda a gente. Nessa confusão, uma senhora de vermelho que falava inglês, simpaticamente lá nos explicou que havia um problema na linha do comboio, e que tínhamos de fazer o resto do caminho de autocarro até lá. Como já devem estar a imaginar, também não havia lugares para toda a gente nos autocarros, e lá tive de ter uma altercação com uma jovem com ar metaleiro e revoltado com o mundo, que tinha as suas malas a ocupar 3 dos bancos traseiros e se recusava a tirá-las para o chão. Após ganhar essa altercação, consegui um dos lugares para mim e outro para a senhora de vermelho, que me contou algumas coisas interessantes da sua vila (para onde nos encaminhávamos) e também sobre o sítio final para onde íamos - Rejvíz (como por exemplo a informação de que nesta terra mandavam exculpir e personalizar as cadeiras com o aspecto das pessoas).
Após sensivelmente 4 horas, lá chegámos a Jésenik por volta das 19h30, onde a nossa host nos esperava de carro para nos levar para o destino final, pois não chegámos a tempo do último transporte. Chegámos finalmente ao destino pelas 20h, que era pacífico e calmante (as fotos que adiciono são de lá)... um daqueles sítios que quase imediatamente consegue fazer um reset à nossa mente, e fazer-nos submergir numa acalmia tranquilizante. Vi algumas caras conhecidas, houve abraços e reencontros, e tudo valeu a pena.
O resto da semana foi relativamente calma, tendo apenas a relatar: um escaldão nas costas enquanto usava um daqueles tops de desporto que me deixou uma auto-estrada branca no centro das costas, que é algo bonito de se ver; duas nódoas negras enormes, uma no traseiro, resultado de uma luta na floresta, e outra na minha coxa esquerda, que embateu severa e repetidamente contra uma das camas no meu quarto; e para finalizar, no último dia tive uma descida de slide na qual embati com o pé numa rocha enquanto ia a descer. Não foi agradável... fiquei a coxear ligeiramente e passei a noite com algumas dores, mas felizmente no dia a seguir estava só um bocadinho dorido e conseguia andar. O que tendo em conta episódios prévios correu bastante bem (na viagem de finalistas voltei de muletas após ter deslocado a rótula e passar a noite no hospital).

Viagem de regresso dia 1

Acordámos às 6h da manhã pois tínhamos de apanhar um autocarro em Jésenik por volta das 7h15, por isso o dia começou cedo, com despedidas atribuladas e correrias para os carros que nos levaram até lá. Fizémos a viagem de 4 horas até Praga que salvo um atraso de 40 minutos, não teve sobressaltos e chegámos ao aeroporto com tempo e em segurança, o voo era só às 19h e qualquer coisa. Ao fazermos o despacho das malas, ainda tivémos direito a uns minutos de suspense em que nos disseram que não tínhamos lugar no avião, e que tínhamos de ir noutro, mas depois de trocas incompreensíveis de vocábulos entre o pessoal da companhia, lá nos disseram que mantinha-se tudo como inicialmente e iríamos no avião marcado. Lá fomos nós. Chegámos ao aeroporto do Porto à 00h10 sensivelmente, e as nossas malas chegaram uma hora depois, mas chegaram. Nessa noite sabia que não tinha transporte para Coimbra por isso fiquei na casa de um amigo, com ideia de ir no comboio de manhã. Tentei comprar o bilhete online e não foi possível ao que pensei de manhã vou prá estação com tempo e compro lá... 1st mistake..

Viagem de regresso dia 2

Cheguei à estação de comboios no Porto - Campanhã às 10h15 da manhã, e fui informada que já não haviam lugares no IC das 10h45 nem no Alpha seguinte, portanto só tinha lugar no IC do 12h45. Eu lá respondi que não havia problema, e que queria bilhete para esse, e entretive-me com o computador até lá, tentando adiantar algum trabalho. Esta revelou-se uma tarefa difícil com 38/40 graus numa estação sem AC, mas lá fiz alguma coisa. Perto da hora do comboio lá me dirigi à plataforma 6 como indicado, e comecei a observar com pesar o passar do tempo, a ver aumentar os minutos da hora prevista de chegada, de dois em dois, e sem sinais do comboio... Passou mais de uma hora, até que alguém desse alguma informação do que se passava, informando que tinha havido uma avaria na máquina do comboio e que estavam a aguardar, sem hora prevista de chegada de comboio ou possibilidade de ir noutro pois estavam todos cheios. Esperei duas horas na plataforma e no único momento em que me ausentei e fui comprar um panicke misto para comer e uma água fresca, foram distribuir águas às pessoas que estavam na plataforma (claro! why not).
Tentei ver se havia bilhetes de autocarro online e tentei comprar mas por algum motivo não era possível. Liguei para a rede expressos e lá consegui comprar um bilhete de autocarro por telefone e pus-me a caminho do campo 24 de Agosto, para apanhar o autocarro das 15h30. Às 17h20 deitei-me no sofá da minha casa em Coimbra e respirei fundo - cheguei.

Não foi fácil, mas não perderia esta viagem por nada, mesmo que soubesse de tudo isto de antemão.

That's the beauty of life I think.

Agradeço a persistência dos que leram até ao fim.

 

Jules

5 de agosto de 2018

Dia 4 - Sexta-Feira 13

Não sou uma pessoa supersticiosa, nem me preocupa a sexta-feira 13, mas tendo em conta o seu rótulo habitual como dia de azar, resolvi documentar particulamente bem tal marco, que foi também ele brindado com as habituais surpresas associadas ao meu atribulado dia-a-dia.

Passei grande parte do dia em casa, resolvi trabalhar por casa, e quando já não estava com cabeça para trabalhar, aproveitei para dar uma volta à casa, e uma limpeza à cozinha, que já precisava. Como gosto de cozinhar, a cozinha é um local onde passo algum tempo, e onde a tendência para a desgraça é elevada ao quadrado.

Quando limpei a cozinha consegui partir o copo ocasional claro (ver foto), mas o mais bizarro foi descobrir uma pilha de sal no canto da cozinha, que não consigo perceber como aconteceu... basicamente há dias aconteceu um acidente com o saleiro (que contém o sal grosso), que caiu e ao tentar apanhá-lo acertei com ele dentro do saco do lixo para separar, que está no canto da cozinha, e foi no saco do papel, por isso até tive sorte, e consegui apanhar todo o sal tirando o saco que lá tinha dentro. O que não consigo perceber foi como é que no tempo que o saleiro foi no ar, conseguiu projectar todo este sal... (ver foto).

Para terminar o dia em grande fui jantar fora com uns amigos, e tentei colocar o meu copo onde achei que não corresse perigo de eu atirar com ele, e passado uns segundos foi projectado pelo meu amigo quando me mostrava o Menu.

Acontecimentos prévios e por vezes bizarros que já ocorreram nesta cozinha:
- Cair um pacote de natas do armário da cozinha que está por cima do escorredor da loiça, que bateu nos talheres, fez saltar um garfo que se espetou no pacote e fez espirrar natas em espiral com a sua queda (por este motivo o escorredor da loiça está agora noutra posição, para que quando alguma coisa caia, não acerte nos talheres - sempre à procura de limitar a probabilidade de acontecerem destas coisas, sem muito sucesso).
- Levar com alguidares na cabeça e frigideiras que saltam agressivamente dos armários)
- Partir frequentemente copos e taças de vidro, que estão agora limitados ao mínimo, e sendo alguns utensílios substituídos por materiais que não quebram;
- Prato do microondas estilhaçado após fazer pipocas de microondas (sim, no tempo e temperatura indicados);
- Pequeno móvel com bancada partiu uma roda e com ele tudo o que tinha em cima veio para o chão, inclusivé uma garrafa de vinho, cujos estilhaços se espetaram no meu pé, e que pintou a 360º tudo à sua volta, de vinho tinto (a cozinha é pequena).

Nota: estes são apenas alguns dos episódios de que me lembro neste momento, portanto podem imaginar.

No final, foi um dia agradável, por isso acho que não me deixei dominar pela carga negativa da sexta-feira 13!

Mais um dia na vida de Julieta..

   

10 de julho de 2018

Dia 3

Hoje partilho só uma imagem... Coisas que eu faço não sei bem como e que me fazem perder a calma porque não consigo sair delas... A alça da minha carteira ficou da parte de dentro do meu fio
Não, o fio não foi aberto, e coloquei a mala várias vezes ao longo do dia e tirei, sem que isto alguma vez acontecesse, até este momento... Ao menos já estava em casa.

7 de julho de 2018

Dia 2 - A Saga da Comissão de Ética e a Torrada voadora


O dia começou dentro da normalidade. Consegui ir cedo o suficiente para encontrar lugar perto da faculdade e chegar bastante antes da consulta que ia dar, tendo assim tempo para preparar os materiais para a consulta e ainda organizar os documentos para a Comissão de Ética, que precisava de entregar com o meu Projecto de Doutoramento.

Nota Prévia: Tudo o que tenha a ver com burocracias, na minha vida, apenas em 5 a 10% das vezes (e acho que estou a ser generosa) corre bem à primeira, sem necessidade de rectificação ou documentos extra não antes identificados.

Continuando... Após dar a minha consulta tratei então de ir à secretaria para entregar um pedido de alteração do tema da minha tese, porque percebi que deveria mudar lá uma palavrinha. Na altura em que percebi isso, desloquei-me à dita secretaria para perguntar o que seria necessário fazer para proceder a essa alteração. Nesse dia, sugeriram-me que escrevesse uma carta a explicar a situação e que preenchesse novamente o formulário com o novo título (como anteriormente). Assim fiz e foram estes documentos que apresentei nesse momento. A resposta confusa que obtive foi que o formulário com o título não seria necessário, e seguiu-se ainda a seguinte pergunta "e onde está o parecer dos orientadores?". Pois onde está não sei (pensei eu), pois ninguém me disse que este era necessário, até porque da primeira vez também não foi!!! Foi-me então dada a possibilidade de entregar posteriormente. What a delight.

Fui em seguida encaminhada para o Gabinete de Apoio à Direcção (GAD) para entregar os documentos que se destinavam à avaliação pela Comissão de Ética (CE). Contei e verifiquei que tinha os 3 documentos exigidos pela ética e entreguei ao senhor que estava neste gabinete, que me informou que tinha de enviar também todos esses documentos por email. Eu assenti que já tinha conhecimento, e o faria ainda no mesmo dia. Fui-me embora para tratar disso mesmo. Tinha eu acabado de ligar o computador, felizmente ainda na faculdade, e liga-me este mesmo senhor a dizer que eu não tinha assinado o documento - formulário da CE. Ora bem... não havia NADA no formulário da CE que dissesse que tínhamos de assinar, nem uma indicação por escrito nem uma LINHA!! Informou-me o senhor que estava no regulamento da CE, que eu li, e que não era bem isso que dizia... Muito útil lá essa informação anyway. Lá voltei rapidamente ao gabinete do senhor para assinar as folhas e voltei ao trabalho, nos claustros da faculdade, para enviar o email com os documentos, quando me lembrei que o formulário que eu tinha no computador não estava assinado. Para não incomodar novamente o senhor, lá fui eu à reprografia imprimir novamente este documento, para poder assinar algo (que em local nenhum dizia que tinha de ser assinado), digitalizar e depois adicionar ao email o documento para enviar para a CE. Quando finalmente o fiz novamente, e abri o documento para confirmar que estava legível, vejo a palavra ANEXOS. Nesse momento, percebi que não tinha impresso os anexos que estavam num outro documento (e que como não eram obrigatórios, não estavam na listagem dos 3 documentos que segui religiosamente). Então, voltei a correr à reprografia para imprimir os anexos, e corri novamente ao GAD onde felizmente ainda encontrei o senhor que assentiu deixar-me adicionar os anexos. Após toda esta correria, que para quem conhece a Faculdade de Psicologia e CE sabe que significa subir e descer 3 vãos de escadas, lá deixei tudo entregue e voltei ao meu computador para finalizar o envio do email, acrescentando os anexos em falta, e redigindo um bonito email à CE. Estava eu nos agradecimentos, e estando a fazer isto nos Claustros com o meu portátil na esplanada, quando o meu portátil se desliga nas minhas últimas palavras. Ri-me, respirei fundo e não quis mudar o portátil para um sítio onde houvesse ficha. Peguei simplesmente no telemóvel e enviei o email de lá, pois os anexos já lá estavam e terminei a minha saga com (esta) CE.
Após esta tarde stressante resolvi partilhar uma cerveja e uma torrada com um amigo meu (com doce e manteiga em pão alentejano), onde não só fui espalhar charme, como migalhas e pão, pois de tão crocante que estava, consegui fazer saltar a torrada das minhas mãos (os dois pedacinhos que vêem na foto, depois de recolhidos do chão), e deixo-vos adivinhar qual foi o lado do pão (nos dois bocados) que ficou virado para o chão.

PS: Pormenores surreais - no meio desta azáfama, ligaram-me de Faro para saber se ainda estaria interessada num trabalho que concorri há sensivelmente 5 anos atrás, e tenho uma ferida na cabeça que não sei como fiz.


30 de junho de 2018

História e contextualização do Blog - Partilha do dia 1

Caros e Caras leitores e leitoras,

Para quem me já me conhece o motivo para escrever este blog é bastante evidente, depois de me ouvirem dizer variadas vezes, após mais um espalhafatoso e/ou atribulado evento no meu dia,  "qualquer dia escrevo um blog sobre isto, a sério, é que pelo menos posso ver se mais pessoas partilham o que lhes acontece a elas, para não achar que só me acontece a mim". 
Aqui está ele, finalmente. E porquê hoje? Porque curiosamente, dei por mim a ver um filme chamado "Julie & Julia" sobre uma pessoa que resolveu fazer um blog com um desafio culinário que colocou a ela própria, o que também me agrada bastante (e naturalmente surgirão episódios culinários neste blog), e que honestamente só fiquei a ver porque tinha a Amy Adams e a Meryl Streep, e até se tornou engraçado.

Para quem não me conhece, o contexto é simples: sou uma pessoa muito activa e um pouco desastrada, com uma propensão para azares fora do comum (quando digo fora do comum é naquela extremidade da curva normal - for people who know what I mean), com incontáveis eventos que envolvem imbróglios burocráticos que fariam o Kafka repensar o seu Processo, e eventos sequencialmente desastrosos que talvez fizessem renomear a Lei de Murphy, e com tal recorrência destes eventos que os meus amigos adaptam o ambiente à minha volta como as pessoas que têm bebés em casa (talvez mais até). Desde partir garrafas de plástico e facas, partir mais coisas do que deveria e causar mau funcionamento em todo o tipo de tecnologia que me passa pelas mãos, as peripécias são inúmeras, e irei escrevendo algumas do presente e outras do passado. Por tudo isto, nasceu até a expressão "hoje fiz uma cena à Julieta" quando algo extremamente improvável e desastroso acontece.

Dia 1:

Hoje até foi um dia calmo (estava eu a pensar antes te relembrar o meu dia)... a manhã começou comigo a apanhar o autocarro número 6, que me levou até ao fundo das escadas monumentais, quando senão à saída do autocarro a porta se fechou sobre mim, e eu fiquei entalada durante breves segundos, o que me comprimiu os ossos e fez definitivamente acordar da dormência em que vinha. Saí aos tropeções e a reclamar, naturalmente... Mas, no meio deste cenário aparatoso, e enquanto murmurava sozinha, o motorista do autocarro lá veio atrás de mim, muito atenciosamente, a perguntar se estava bem e a pedir desculpa, justificando que houve algum problema elétrico, porque ele carregou apenas para abrir a porta e ela, aparenteme, fechou-se sozinha. Eu agradeci genuinamente a preocupação e disse que estava bem, e lá segui a minha vida. Mais tarde, depois de ter passado à porta do CES (Centro de Estudos Sociais), onde queria ter passado (levava papéis na mão para lá deixar), segui para a aula de estatística na faculdade e no fim desta, lá tive eu de vir Couraça acima (para quem sabe a íngreme distância perceberá o custo, outra vez, para lá passar. O dia terminou comigo em casa, com a língua queimada depois de provar o arroz que fiz para o jantar, e confortavelmente a corrigir um capítulo, enquanto via um filme aleatório sobre um blog. Até foi um dia produtivo, all things considered [acabei de me aperceber que me esqueci de passar noutro sítio que me ficava em caminho, faz parte].