Aviso desde já que vai ser um post longo, e percebo se desistirem a meio, mas é para verem que viver o meu dia-a-dia é exaustivo, mesmo a viajar 😋
A minha viagem começou no dia 25 de Julho com a ida de Coimbra para o Porto para apanhar um avião. Saí no comboio mais que saía mais cedo de Coimbra - 5h38 tendo chegado lá por volta das 7h40 e fui para o metro para ir para o aeroporto. Aí começou tudo a apertar, estava eu tranquila à espera do metro há cerca de 10 minutos, e já tendo carregado o cartão, quando percebi que o próximo metro era só daí a 20 minutos... A sério, como assim faz-se um metro de ligação com o aeroporto que a esta hora circula com intervalos superiores a 20 minutos?! Indignada lá fui procurar outra opção para chegar ao aeroporto mais rapidamente, porque a hora de despacho das malas acabava às 8h e pouco e a hora do voo era às 8h25. Lá começou a minha correria habitual, e cheguei ao aeroporto no limite, sendo a minha mala a última a ser despachada antes de fecharem e lá fui para a porta de embarque. Chegada a Praga, eis o momento que me aperta o coração, esperar pelas malas. Para a generalidade das pessoas é um momento pacífico, esperam confiantemente que a sua mala chegará. Para mim, as estatísticas pessoais dizem o contrário. Das vezes em que levei mala de porão 2/3 das vezes a minha mala não chegou comigo. Sim, a sério.
Breve contextualização de dramas com malas passados
- Na minha primeira viagem, a viagem de finalistas, a minha mala não chegou tendo aparecido apenas passados 3 dias durante os quais andei com roupa emprestada das minhas amigas, que me valeram.
- Numa outra viagem tive de aguardar no aeroporto e a mala lá chegou horas mais tarde.
- Numa viagem na qual levei mala de mão, até à Irlanda consegui partir o troley assim que lá cheguei, e carreguei com a mala o resto do tempo.
- Em Varsóvia a minha mala ficou retida algures e não chegou comigo, e não me foi dada grande informação de onde andaria, tendo felizmente sido entregue no dia seguinte no hostel onde fiquei.
De volta a Praga... estava eu a esperar ansiosamente pela minha mala, quando vejo aquela já por mim conhecida mensagem "All the bags have been unloaded" o que para quem não sabe significa - todas as malas já foram descarregadas do avião e se a vossa mala não chegou já não vai chegar. Pois bem, eu respirei fundo e lá me dirigi ao balcão Lost Baggage. Depois de tratar de tudo (dar morada, descrever a mala e afins), lá fomos nós sem malas, explorar Praga e comer alguma coisinha Checa, sendo recebidos no centro da cidade velha - old town - com um belo prato de Halusky (recomenda-se). Nesse dia não houve novidades da mala, liguei várias vezes para o número que me deram sem ninguém alguma vez me atender. De manhã, depois de tomar banho e vestir a mesma roupa e voltar a ligar para lá até me atenderam, lá me disseram que a mala já tinha sido entregue na recepção do sítio onde estava... Feliz da vida, lá fui buscar a mala e mudar de roupa radiante por ter a minha mala de volta.
Depois deste começo atribulado, lá fui ter com os meus companheiros de viagem ao hotel deles, e estavam a comer o pequeno almoço que partilharam generosamente comigo. Como agradecimento atirei com um ovo estrelado para o chão, para continuar o dia em Julieta's mode.
Depois disto e de termos visto Praga que é uma cidade surpreendentemente encantadora, chegou o nosso último dia e tivemos de ir embora, pelo que chamámos um Uber para apanhar o autocarro para a nossa próxima paragem. Como há 1 dia que tudo corria bem, tinha de descambar neste momento claro... o Uber ficou retido uma data de tempo no trânsito até chegar a nós, e já connosco lá dentro demorou outro tanto. Neste processo e percebendo que íamos chegar 5 minutos depois da hora do autocarro para o qual já tínhamos bilhete, tentámos falar com amigos que estavam lá à espera desse bus e pedir ao motorista que esperasse uns minutos pois estávamos a chegar, que prontamente disse que Não! Assim que lá chegámos, e percebendo que tínhamos perdido o autocarro, procurámos ver se podíamos trocar o bilhete por outro que houvesse a seguir, ao que nos foi dito que não havia mais nenhum autocarro a seguir com lugares vagos (isto em "conversa" com uma jovem que sabia dizer em inglês - yes, no e maybe). Conseguimos perceber que havia um comboio às 15h30 (pela internet claro - sendo no momento 14h50) e pusemo-nos a caminho, apanhando o metro para a estação. Chegámos à estação dos comboios Hlavni nadrazi (não me perguntem como se diz tal coisa), onde comprámos o bilhete de comboio, confiantes que isso corresponderia a um lugar sentados no comboio. Não caros e caras leitores(as), o bilhete basicamente significa que podem ir dentro do comboio, para ter lugar sentado tem de se reservar! Alguém nos perguntou se queríamos reservar? Claro que não. Nesta azáfama de perceber o que raio se estava a passar (já dentro do comboio) e onde nos podíamos sentar, desapareceu o nosso bilhete (tínhamos um bilhete para os 3), e estávamos a derreter sem ar condicionado e num dia em que a temperatura estava seguramente acima dos 37ºs. Enquanto perdíamos todos a calma, lá voltei para trás no caminho que tínhamos feito pelo comboio fora e consegui encontrar o raio do bilhete no chão, escondido junto a uma porta, quase a rir-se da nossa desgraça.
Voltámos a uma das carruagens do comboio e lá conseguimos sentar-nos em lugares que seriam sempre temporários até surgir alguém que os reclamasse, porque estavam reservados... a sério, não entendo. Ah e havia uma última carruagem só para as pessoas irem de pé, minúscula, nunca tinha visto nada assim... sufocante. Finalmente sentados, e depois de termos sido avisados que tínhamos de trocar numa determinada estação na qual trocámos, segui-se uma nova dança das cadeiras no novo comboio, e passadas apenas duas ou três paragens e o comboio deteve-se novamente, antes da nossa estação de destino que era Jésenik e mandaram sair toda a gente. Nessa confusão, uma senhora de vermelho que falava inglês, simpaticamente lá nos explicou que havia um problema na linha do comboio, e que tínhamos de fazer o resto do caminho de autocarro até lá. Como já devem estar a imaginar, também não havia lugares para toda a gente nos autocarros, e lá tive de ter uma altercação com uma jovem com ar metaleiro e revoltado com o mundo, que tinha as suas malas a ocupar 3 dos bancos traseiros e se recusava a tirá-las para o chão. Após ganhar essa altercação, consegui um dos lugares para mim e outro para a senhora de vermelho, que me contou algumas coisas interessantes da sua vila (para onde nos encaminhávamos) e também sobre o sítio final para onde íamos - Rejvíz (como por exemplo a informação de que nesta terra mandavam exculpir e personalizar as cadeiras com o aspecto das pessoas).
Após sensivelmente 4 horas, lá chegámos a Jésenik por volta das 19h30, onde a nossa host nos esperava de carro para nos levar para o destino final, pois não chegámos a tempo do último transporte. Chegámos finalmente ao destino pelas 20h, que era pacífico e calmante (as fotos que adiciono são de lá)... um daqueles sítios que quase imediatamente consegue fazer um reset à nossa mente, e fazer-nos submergir numa acalmia tranquilizante. Vi algumas caras conhecidas, houve abraços e reencontros, e tudo valeu a pena.
O resto da semana foi relativamente calma, tendo apenas a relatar: um escaldão nas costas enquanto usava um daqueles tops de desporto que me deixou uma auto-estrada branca no centro das costas, que é algo bonito de se ver; duas nódoas negras enormes, uma no traseiro, resultado de uma luta na floresta, e outra na minha coxa esquerda, que embateu severa e repetidamente contra uma das camas no meu quarto; e para finalizar, no último dia tive uma descida de slide na qual embati com o pé numa rocha enquanto ia a descer. Não foi agradável... fiquei a coxear ligeiramente e passei a noite com algumas dores, mas felizmente no dia a seguir estava só um bocadinho dorido e conseguia andar. O que tendo em conta episódios prévios correu bastante bem (na viagem de finalistas voltei de muletas após ter deslocado a rótula e passar a noite no hospital).
Viagem de regresso dia 1
Acordámos às 6h da manhã pois tínhamos de apanhar um autocarro em Jésenik por volta das 7h15, por isso o dia começou cedo, com despedidas atribuladas e correrias para os carros que nos levaram até lá. Fizémos a viagem de 4 horas até Praga que salvo um atraso de 40 minutos, não teve sobressaltos e chegámos ao aeroporto com tempo e em segurança, o voo era só às 19h e qualquer coisa. Ao fazermos o despacho das malas, ainda tivémos direito a uns minutos de suspense em que nos disseram que não tínhamos lugar no avião, e que tínhamos de ir noutro, mas depois de trocas incompreensíveis de vocábulos entre o pessoal da companhia, lá nos disseram que mantinha-se tudo como inicialmente e iríamos no avião marcado. Lá fomos nós. Chegámos ao aeroporto do Porto à 00h10 sensivelmente, e as nossas malas chegaram uma hora depois, mas chegaram. Nessa noite sabia que não tinha transporte para Coimbra por isso fiquei na casa de um amigo, com ideia de ir no comboio de manhã. Tentei comprar o bilhete online e não foi possível ao que pensei de manhã vou prá estação com tempo e compro lá... 1st mistake..
Viagem de regresso dia 2
Cheguei à estação de comboios no Porto - Campanhã às 10h15 da manhã, e fui informada que já não haviam lugares no IC das 10h45 nem no Alpha seguinte, portanto só tinha lugar no IC do 12h45. Eu lá respondi que não havia problema, e que queria bilhete para esse, e entretive-me com o computador até lá, tentando adiantar algum trabalho. Esta revelou-se uma tarefa difícil com 38/40 graus numa estação sem AC, mas lá fiz alguma coisa. Perto da hora do comboio lá me dirigi à plataforma 6 como indicado, e comecei a observar com pesar o passar do tempo, a ver aumentar os minutos da hora prevista de chegada, de dois em dois, e sem sinais do comboio... Passou mais de uma hora, até que alguém desse alguma informação do que se passava, informando que tinha havido uma avaria na máquina do comboio e que estavam a aguardar, sem hora prevista de chegada de comboio ou possibilidade de ir noutro pois estavam todos cheios. Esperei duas horas na plataforma e no único momento em que me ausentei e fui comprar um panicke misto para comer e uma água fresca, foram distribuir águas às pessoas que estavam na plataforma (claro! why not).
Tentei ver se havia bilhetes de autocarro online e tentei comprar mas por algum motivo não era possível. Liguei para a rede expressos e lá consegui comprar um bilhete de autocarro por telefone e pus-me a caminho do campo 24 de Agosto, para apanhar o autocarro das 15h30. Às 17h20 deitei-me no sofá da minha casa em Coimbra e respirei fundo - cheguei.
Não foi fácil, mas não perderia esta viagem por nada, mesmo que soubesse de tudo isto de antemão.
That's the beauty of life I think.
Agradeço a persistência dos que leram até ao fim.


Jules

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